domingo, 17 de setembro de 2017

3. Justifique sua resposta.

Eu acho que eu recorro à escrita quando estou triste
Quando estou pesado
E que por isso escrevo sempre sobre as mesmas coisas
Sempre o mesmo texto com palavras diferentes.
Isso faz de mim a porra de alguém muito egoísta.
Eu devia deixar a alegria entrar nessas palavras
Um dia desses.
Tentarei fazê-lo quando estiver forte o suficiente.

2. Conte o que aconteceu nas suas férias

Tínhamos um cachorro
Que ouviu seu nome sendo chamado do fundo de um penhasco ao lado da nossa casa
E pulou.
O cachorro tinha meu nome
E a voz era da vida.

Eu adoro fazer
Metáforas que são mais do mesmo
Para mostrar como nada mudou.

1. Pinte um autorretrato


Eu me desfiz em lágrimas novamente hoje e depois me refiz nelas.
Eu me isolei dentro de mim mesmo novamente, curvei os meus cantos até que eles se encontrassem, eu me fechasse e me blindasse na minha própria carne.
Fiz do meu corpo terra de ninguém, criei-o a partir dos materiais os mais heterogêneos - lágrimas, carne, tempo, angústia.

Ó mar salgado
Eu não tenho por ti paixão nacionalista
Nem por mim.

Meus músculos foram tecidos com fios de culpa e autopiedade.
Quando um novelo acabava, procurava o outro
Num movimento sádico
De procurar os piores sentimentos
Pois sabia que sempre os encontraria ali para
Tecer a mim mesmo
Pra lá e pra cá
O preto da culpa e
O cinza da autopiedade
Tornando-se cada vez mais indistinguíveis.

Meus ossos são gravetos que encontrei pelo caminho.
Gravetos que me atiraram
Ou que eu pensei que tinham me atirado
Mas que simplesmente sempre estiveram ali.
De repente parecia lógico que eles estivessem
Dentro de mim.

Meus olhos são lanternas carregadas com a esperança que ainda resta
Forçados a vasculhar o mundo
Procurando por uma resposta para uma pergunta que eu não sei fazer.

Meu cérebro é lixo
Egoísmo
Razão podre iluminista
São coisas que preciso desaprender todos os dias
Para que ele se pareça mais com algo que eu não sei o que é.

Minha alma é o resto
É um vazio cheio de coisas
As coisas das quais eu me permito gostar
E as quais eu não consigo não amar.
Pena que elas não se sentem do mesmo jeito em relação a mim.
Elas se balançam
Violentamente
Todos os dias
Tentando se libertar do meu amor
Tentando não ser parte de mim.
Dói.
Mas eu ainda não aprendi a deixá-las irem
E nem sei se posso
Afinal, onde já se ouviu falar
De um corpo sem alma?

Vejo meu corpo
Fechado em si
Em mim mesmo
E me pergunto como farei para
Deixar de vê-lo como o resto do mundo o vê.
Para encontrar outro par de olhos e encará-lo de uma forma diferente,
Tirar outras conclusões acerca dele.
Eu não sei a resposta.
Continuo, porém,
Me refazendo em lágrimas
Todas as vezes em que estou desfeito
E talvez isso já signifique alguma coisa.

Instruções

Siga-as e talvez algo dê certo
Ou ao menos fique mais claro.
Talvez não.
Se quiser, queime depois de ler.