domingo, 20 de maio de 2018

alquimistas

à meia-noite eu peguei sua mão te disse que ia ficar tudo bem e te trouxe pro meu mundo

à uma da manhã você desenhou o mapa do seu mundo no meu corpo com seus beijos
eu me perdi e me achei em mim mesmo e em você
guiado pela respiração
de um de nós dois

às duas você me fez carinho nos cabelos, falou do brilho dos meus olhos e traçou meu sorriso com a ponta dos dedos

às três fomos rápido demais e o tempo parou pra assistir
um espetáculo de forças e mundos performado por dois corpos que seguiam a orientação do instinto

às quatro você me perguntou
como eu imaginava o fim do mundo;
eu te respondi que não fazia ideia, mas que estava pronto

às cinco eu descansei
sétimo dia da Criação
fiz do seu peito travesseiro
enquanto você me contava histórias de uma outra época que, ainda assim, pareciam estar logo ali

às seis o sol bateu naquilo que já não éramos mais nós dois
perdidos
em nós mesmos

éramos nós dois
mapeados
descobertos
um graças ao outro;
esforço mútuo que
fez crescer.

sábado, 12 de maio de 2018

peace

i hope one day i learn to live with myself
without trying to control myself
without locking myself up
in other people's expectations
então deixa o meu coração abrir e sangrar
deixa todo o sangue ir embora
deixa tudo secar
e amanhã
ainda assim
vou estar pronto pra viver outra vez

terça-feira, 8 de maio de 2018

não me odeie por eu não ser tóxico como você

se você não conseguiu engolir meu coração
me devolva gentilmente
não cuspa na minha cara

se você não conseguiu me dominar
não me rechace por eu nunca ter tentado

enquanto você cuspir
enquanto me rechaçar
o gosto estranho do meu coração
não vai sair da sua boca

domingo, 6 de maio de 2018

translucidez


entre todas as pessoas do mundo, ele encontrou a si mesmo. não sabia o que fazer com aquela outra carcaça.
olhava pra fora e pra dentro ao mesmo tempo e tinha medo. sabia os quês e estava descobrindo os comos, mas seu medo era que os comos viessem a destruí-lo.
a força que exigia pôr em prática um estilo de vida ele achava que vinha de outro lugar, porque não podia exisitir neste universo.
andou e olhou, pra fora e pra dentro, seguiu as trilhas de sangue da alma – nunca antes tinha visto sangue de cor nenhuma – e agora enxergava tudo. todas as noites, lia para si em voz alta as mesmas constatações, mas elas pareciam pertencer tanto ao papel, aos lábios, ao som da voz. a vida nunca as tinha reclamado pra si. achava que o que devia ser feito era uma conquista da vida pelas palavras. não que fosse possível, mas o que
mas o possível é sem graça e o impossível tem uma graça triste.
um humor ácido. que corrói e transforma.
ele quebrou o próprio corpo e não sabia o que fazer com aquela outra carcaça quebrada.
ele se corroeu
ele aguardava
impacientemente
forças de outros universos
que talvez demandassem paciência.