am i keeping my promises
or am i just breaking them
over and over?
nah, i never made promises to anyone else
even if people misread my statements that way.
the only promise i have ever made was to myself
stay alive. keep breathing.
and i guess i'm doing pretty well on that.
quarta-feira, 27 de dezembro de 2017
primeiro socorro

se afogar talvez seja o mais próximo que alguém consiga chegar do desespero puro. sabe, toda essa água te cercando por onde quer que você olhe e tentando invadir seu corpo, isso te faz perder qualquer sensatez ou capacidade de raciocínio.
eu queria saber o nome da água pra ser capaz de chamar por ela e pedir que, por favor, fosse embora. se eu soubesse como ela se chama, eu poderia dizer, ei, você bem que podia se afastar, eu preciso de um respiro de ar puro. ei, será que você pode me deixar em paz, me dar um minuto de sossego –
mas a água não vai embora. toda essa massa que te cerca e te pressiona não vai se mexer por vontade própria. você precisa, então, pegar impulso, se mover, empurrar a água pra longe. repetir o processo até que você consiga emergir em um lugar onde seja possível respirar. esse pontapé inicial, esse impulso, talvez seja a coisa mais difícil de ser feita de todas as coisas que somos capazes de fazer. requer força que você provavelmente acredita que perdeu há muito tempo, já que está se afogando.
mas uma vez que você já fez, uma vez que sua cabeça está fora d’água e você olha pra trás, esse momento, o momento em que você tomou impulso, se torna o momento mais bonito da sua vida. e a forma como você passa a ver todas as coisas depois que sobrevive a um afogamento é também uma forma muito bonita. é como se tudo ao seu redor fosse vida a ser vivida.
não, não como algo que você nunca tinha percebido antes, mas como um relembrar. como se toda a luz que você tinha deixado de levar em conta te invadisse de uma só vez
e te iluminasse.
respire.
você controla essas águas, esqueceu? elas respondem a você.
navegue.
sexta-feira, 15 de dezembro de 2017
note to self
pessoas não são propriedade
pessoas não são suas
para jogar a culpa em cima delas
como você bem entender
pessoas são pessoas
aprenda a vê-las assim
e pare de vê-las como asteroides seus.
pessoas não são suas
para jogar a culpa em cima delas
como você bem entender
pessoas são pessoas
aprenda a vê-las assim
e pare de vê-las como asteroides seus.
Depois do fim, mas antes do início
O mundo está se desfazendo. Nada resta dele além de pedaços de terra, fragmentos de relações desgastadas, de pessoas quebradas.
Sob seus pés, a superfície da terra vira pó.
O ódio de bilhões de figuras isoladas despedaça a casa de todos a passos largos.
E há você, esse amontado de pedaços de um alguém.
Você é alguém inteiro depois de ter toda a população da Terra passado com os pés por cima do seu corpo?
Você consegue se ver depois de consumada toda a destruição que estava prevista?
Você é capaz de acalmar a respiração e parar de esperar apreensivo por outros passos que nunca virão?
Nunca virão, pois agora você está sozinho. Agora é você consigo mesmo, agora é aquele segundo que antecede o momento em que você volta para o mundo para ser pisado de novo.
Aquele segundo em que tudo pode ser transformado.
Que alguém de você mesmo você pretende para levar para o mundo?
O mundo quer alguém macio.
Modelável.
Um parceiro sem fôlego
um filho sem necessidade
um amigo sem boca
são muito mais fáceis.
Você quer ser mais fácil outra vez?
Ou você quer ser você
pela primeira?
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