sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Depois do fim, mas antes do início

O mundo está se desfazendo. Nada resta dele além de pedaços de terra, fragmentos de relações desgastadas, de pessoas quebradas.
Sob seus pés, a superfície da terra vira pó.
O ódio de bilhões de figuras isoladas despedaça a casa de todos a passos largos.
E há você, esse amontado de pedaços de um alguém.
Você é alguém inteiro depois de ter toda a população da Terra passado com os pés por cima do seu corpo?
Você consegue se ver depois de consumada toda a destruição que estava prevista?
Você é capaz de acalmar a respiração e parar de esperar apreensivo por outros passos que nunca virão?
Nunca virão, pois agora você está sozinho. Agora é você consigo mesmo, agora é aquele segundo que antecede o momento em que você volta para o mundo para ser pisado de novo.
Aquele segundo em que tudo pode ser transformado.
Que alguém de você mesmo você pretende para levar para o mundo?
O mundo quer alguém macio.
Modelável.
Um parceiro sem fôlego
um filho sem necessidade
um amigo sem boca
são muito mais fáceis.
Você quer ser mais fácil outra vez?
Ou você quer ser você
pela primeira?

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