am i keeping my promises
or am i just breaking them
over and over?
nah, i never made promises to anyone else
even if people misread my statements that way.
the only promise i have ever made was to myself
stay alive. keep breathing.
and i guess i'm doing pretty well on that.
quarta-feira, 27 de dezembro de 2017
primeiro socorro

se afogar talvez seja o mais próximo que alguém consiga chegar do desespero puro. sabe, toda essa água te cercando por onde quer que você olhe e tentando invadir seu corpo, isso te faz perder qualquer sensatez ou capacidade de raciocínio.
eu queria saber o nome da água pra ser capaz de chamar por ela e pedir que, por favor, fosse embora. se eu soubesse como ela se chama, eu poderia dizer, ei, você bem que podia se afastar, eu preciso de um respiro de ar puro. ei, será que você pode me deixar em paz, me dar um minuto de sossego –
mas a água não vai embora. toda essa massa que te cerca e te pressiona não vai se mexer por vontade própria. você precisa, então, pegar impulso, se mover, empurrar a água pra longe. repetir o processo até que você consiga emergir em um lugar onde seja possível respirar. esse pontapé inicial, esse impulso, talvez seja a coisa mais difícil de ser feita de todas as coisas que somos capazes de fazer. requer força que você provavelmente acredita que perdeu há muito tempo, já que está se afogando.
mas uma vez que você já fez, uma vez que sua cabeça está fora d’água e você olha pra trás, esse momento, o momento em que você tomou impulso, se torna o momento mais bonito da sua vida. e a forma como você passa a ver todas as coisas depois que sobrevive a um afogamento é também uma forma muito bonita. é como se tudo ao seu redor fosse vida a ser vivida.
não, não como algo que você nunca tinha percebido antes, mas como um relembrar. como se toda a luz que você tinha deixado de levar em conta te invadisse de uma só vez
e te iluminasse.
respire.
você controla essas águas, esqueceu? elas respondem a você.
navegue.
sexta-feira, 15 de dezembro de 2017
note to self
pessoas não são propriedade
pessoas não são suas
para jogar a culpa em cima delas
como você bem entender
pessoas são pessoas
aprenda a vê-las assim
e pare de vê-las como asteroides seus.
pessoas não são suas
para jogar a culpa em cima delas
como você bem entender
pessoas são pessoas
aprenda a vê-las assim
e pare de vê-las como asteroides seus.
Depois do fim, mas antes do início
O mundo está se desfazendo. Nada resta dele além de pedaços de terra, fragmentos de relações desgastadas, de pessoas quebradas.
Sob seus pés, a superfície da terra vira pó.
O ódio de bilhões de figuras isoladas despedaça a casa de todos a passos largos.
E há você, esse amontado de pedaços de um alguém.
Você é alguém inteiro depois de ter toda a população da Terra passado com os pés por cima do seu corpo?
Você consegue se ver depois de consumada toda a destruição que estava prevista?
Você é capaz de acalmar a respiração e parar de esperar apreensivo por outros passos que nunca virão?
Nunca virão, pois agora você está sozinho. Agora é você consigo mesmo, agora é aquele segundo que antecede o momento em que você volta para o mundo para ser pisado de novo.
Aquele segundo em que tudo pode ser transformado.
Que alguém de você mesmo você pretende para levar para o mundo?
O mundo quer alguém macio.
Modelável.
Um parceiro sem fôlego
um filho sem necessidade
um amigo sem boca
são muito mais fáceis.
Você quer ser mais fácil outra vez?
Ou você quer ser você
pela primeira?
segunda-feira, 13 de novembro de 2017
infelizmente escritos #4
i trapped you in my words
because i couldn't trap you in my life.
i guess i wanted you to stick around
even though i told you
over and over
to walk away.
i wanted you to see how broken i am inside
and i wanted you to fix me.
but you cannot put my pieces back together
you'll never be able to
because only i can fix myself.
in the end, i'm such a bastard.
i've been so unfair to you
throwing all my needs at your lap
and asking fiercely for you to deal with them in the best way possible
when i myself don't know how to do that.
i never did.
so now i'm setting you free.
go on.
life your beautiful life.
i'll crash and crumble
or i'll thrive
who knows?
i guess i'll find out eventually
by myself.
quarta-feira, 8 de novembro de 2017
infelizmente escritos #3
os piores momentos são quando eu olho pra você, pras suas atitudes, e vejo um estranho. são os momentos em que eu vejo que a sua relação comigo está dividida entre querer me machucar de todas as formas possíveis e sentir pena de mim.
nesses momentos eu me pergunto se é essa a pessoa que esteve ao meu lado durante esse tempo. a pessoa que precisa provar pro mundo que é uma coisa na qual ela não acredita. a pessoa que precisa provar que não sente, por mais que sinta mais que tudo.
eu sei que você me culpa por tudo e acho que nunca foi tão injusto. eu queria gritar. mas não vou dar mais combustível para me chamarem de louco. eu vou é seguir em frente, o que vai me fazer muito mais feliz do que pensar no que fazer em relação a você - ou a essa pessoa que eu desconheço.
infelizmente escritos #2
o que você sabe sobre se importar
no fim das contas
você amava era o eu
que você criou na sua cabeça
e todos os planos que você fez com ele
mas o eu de verdade
que gritava por você
todos os dias
por esse você sente indiferença
infelizmente escritos #1
eu não preciso da sua raiva sendo derramada sobre mim.
estou me desintoxicando.
vou vomitar toda a culpa
em que transformei a raiva que você despejou em mim
ao longo dos anos.
vou lavar meu corpo e minha alma
para então estar limpo
e poder decorar o espaço que a culpa ocupava
como eu quiser.
x
quinta-feira, 19 de outubro de 2017
5. Desafie a separação passado-presente-futuro
Estamos nessa festa, eu e você, mas tudo o que consigo pensar é numa outra festa, pouco menos de dois anos atrás, quando eu ainda não tinha tirado um tempo para estar só comigo mesmo. Aquele foi um dos melhores dias da minha vida, a noite em que estivemos pela primeira vez juntos do jeito que ficam as pessoas que não querem nunca estar longe. Eu estava completamente deslumbrado pela pessoa maravilhosa que você é - ainda estou, mas, hoje, quando penso nisso, meu coração dói ao lembrar que eu tive de abrir mão de nós dois para cuidar de mim.
Aquela noite foi quando aconteceu também nossa primeira briga. Você tinha ido comprar bebida no bar e, sempre na ânsia de independência a qualquer custo, não avisou que ia e que poderia demorar. De repente, estavam todos procurando por você. Quando eu finalmente te achei, te repreendi por não ter avisado, afinal, o lugar estava cheio e a pista e o bar ficavam em andares diferentes. Você me disse para nunca mais te dar lição de moral e falou ainda que era desnecessário avisar nesses casos. Acho que cumpri seu pedido no tempo que se seguiu e pretendo continuar a cumpri-lo. Nos meses seguintes, no entanto, não deixei de requisitar sua presença quando você sumia sem avisar e, com o tempo, você passou a tomar mais cuidado com a ausência desmedida. Como aquecia meu coração o fato de estarmos juntos.
Esta noite, no entanto, eu não sei como agir, estando nós dois aqui, na mesma festa, com o mesmo grupo de amigos, e tentando também os dois agir como amigos. Não sei se posso sentir sua ausência desmedida. Com certeza sei que não posso pedir sua atenção. Acho que vai doer não poder. No fim das contas, eu não sei como agir, porque, apesar de você não ser mais meu namorado, no fundo meu coração ainda não aceitou isso. No fundo, eu ainda quero te puxar para perto de mim e nunca mais te soltar, como fazem as pessoas que não querem nunca estar longe.
Hoje, depois de dois dias, eu guardei o porta-retrato que você me deu com a nossa foto dentro do guarda-roupa. Não doeu muito na hora, eu estava sonolento, mas aquele momento, aquele ato, grudou em mim e eu não consigo mais terminá-lo na minha cabeça como ele terminou na vida real. Hoje você veio me tranquilizar, dizendo que não tinha problema eu não ter ainda devolvido suas coisas que estão na minha casa. Eu não tive forças de juntar tudo aquilo, todos aqueles pedaços de você que eu ainda posso ter na minha intimidade, e dizer adeus. Eu não quero, eu não posso, eu não consigo aceitar que acabou. Ah, meu Deus, o que vai ser da minha vida. Eu escolhi isso, mas não consigo lidar com a minha própria escolha porque você é a melhor coisa que já me aconteceu na vida. Tinha digitado que você foi a melhor coisa, mas não consegui deixar ali aquela palavra. Passei a abominar o pretérito perfeito e acabado.
A questão é que eu acho que eu tenho mais certeza de que meu lugar é do seu lado do que de que meu lugar é comigo mesmo. Me sinto melhor com você do que comigo mesmo. Eu não sei me proteger. Eu não sei me consolar. Eu não sei fazer chão debaixo dos meus próprios pés. Eu não sei se eu sei mais quem eu sou e não sei se tenho mais vontade de descobrir. E isso está simplesmente errado. Eu preciso ter vontade de mim e preciso saber me defender. Eu preciso me apaixonar por mim mesmo e pelo meu próprio espaço. Eu preciso aprender a encontrar conforto em mim mesmo. Então eu tive que me forçar a escolher a mim mesmo. Todos os dias eu me arrependo. Minha alma dói. Eu odeio o pretérito perfeito. Só de pensar no futuro do presente eu fico tão ansioso que mal consigo respirar. Acima disso tudo, eu odeio a mim mesmo por não estar bem o suficiente para continuar ao seu lado.
Eu espero que um dia eu consiga me perdoar. Espero que você me perdoe também, mas o perdão de que eu mais preciso é o meu próprio. Eu não posso pensar no futuro, não posso pensar em quando eu estiver bem de novo, em estar de novo com você, porque, se eu pensar, esse pensamento vai me consumir. Já o fez algumas vezes, mas eu o estou prendendo com firmeza. Além de tudo, não posso pensar nisso porque eu quero que você seja muito feliz. Eu quero que você encontre toda a felicidade em você mesmo e também em outras pessoas que estejam bem para te proporcionar isso. Então eu não vou te amarrar no meu pensamento e nem no meu coração. Eu estou destruído, mas essa pilha de destroços está te deixando ir para onde nenhum mal possa te alcançar. Eu espero que um dia eu encontre um lugar onde eu também esteja acima de todo mal. E aí, do topo das minhas nuvens, posso chamar você no topo das suas e perguntar o que está se passando na sua vida - mas não
Não.
não posso pensar no futuro. Apesar de o presente ser uma construção, ele tem que ser minha única casa por agora. Só assim eu vou conseguir encontrar a mim mesmo de novo.
quarta-feira, 11 de outubro de 2017
4. Descreva uma técnica familiar de agricultura
Olhei para o solo através do mesmo olhar
de semanas atrás. Dessa vez, no entanto, a ocasião era diferente, pois eu
estava ali para colher, não para plantar.
Não
havia jeito de saber com certeza que era chegada a hora, mas a ponta de alguma
coisa aparecia já na terra úmida a uma altura que eu sentia ser suficiente.
Sim, eu sentia e assim sabia. Pelo menos era desse modo que deveria ser feito
segundo a receita que minha mãe me passara. Portanto, por mais que eu nunca
tivesse sabido confiar nos meus sentimentos, era isso o que eu tinha que fazer
agora. E eu sentia que já era a hora.
A
coisa que se projetava para fora do solo era iluminada pelo sol forte do meio
dia, sol este que também me castigava as costas. Curvei-me e me agachei para
pegar aquela protuberância. Era frio ao toque, o produto do meu trabalho.
Puxei. Nem um movimento. Mais forte. E ainda nada. Peguei a coisa com as duas
mãos. Puxei. Ela saiu mais um pouco da terra, revolvendo o marrom úmido durante
seu percurso. Respirei. Puxei. Respirei.
Como
era difícil aquela merda. Fiz força por cerca de meia hora antes que ficasse
visível todo um braço para fora da terra. Eu já suava bastante àquela altura.
Também, pudera. Nunca tinha colhido nada na vida. Para tudo existe uma primeira
vez – ou pelo menos para tudo que se coloca no nosso caminho.
Eu
plantara aquilo nesse solo fértil porque se havia colocado diante de mim a
necessidade. Ela bateu em minha porta, num dia chuvoso, encharcada, com olhos
de quem dizia que chegara a hora de fazer algo que eu não sabia que deveria
fazer até olhá-los. E eu soube. Como se nunca estivesse estado ali e então
sempre estivesse estado.
Corri
para folhear os antigos livros manuscritos que meus pais usaram e
complementaram com suas próprias anotações em tempos outros, procurando pela
página que me ajudaria naquela tarefa específica. As instruções eram bem vagas,
como todas as que te dão depois de certa idade. Grande parte do processo eu tive
que deduzir, que sentir. Como eu odiava aquilo de ter meus próprios sentimentos
como guia. Segui em frente, todavia. Pus o livro debaixo de um braço, a
necessidade debaixo do outro, e vim até esse lugar que dizem ter o solo fértil
para quem quer plantar tempos novos.
Limpei
o suor da testa e puxei mais um pouco. Aquela parte seria difícil. Meu pai
dizia que não era força e sim jeito, mas eu nunca tive paciência e ele também
não. Não sei de onde vinha esse conselho descabido, aliás, saído da boca de
quem nunca soube a justa medida de nada. Reuni toda a força e todo jeito que
pensava ter e puxei. A cabeça pulou para fora da terra de um jeito quase
cômico. Aproveitei o impulso e comecei a descobrir o tronco, bem mais
fortalecido que o meu próprio. Quando já havia alguma parte dele para fora,
pude passar meus braços à sua volta e puxá-lo com força. O resto do tronco e as
pernas saíram numa velocidade grande com alguns puxões e logo fomos nós dois
arremessados na terra.
Aquele
fim um pouco mais súbito do que eu esperava me pegou de surpresa, mas aos
poucos se assentou em mim o sentimento de que tinha acabado. Abracei a coisa
que eu tirara da terra e comecei a chorar como nunca chorara na vida. Então me
levantei e olhei para o corpo estirado no solo. Era o meu corpo, só que diferente.
Mais resistente. Além disso, estava cheio da terra de onde estava enterrado,
milhares de pontos que haviam grudado nele enquanto eu o tirava de lá. Olhei
para o meu rosto recém-saído da terra. Esperava que ele pudesse olhar o mundo e
saber o que via, diferente de mim.
Minha
mãe tinha adquirido para si a habilidade de se desenterrar do chão todas as
manhãs. Tinha força sobre-humana. Meu pai tinha desenvolvido a técnica de ir
chorar por cima de si mesmo durante a madrugada, para que ninguém pudesse
vê-lo. Eu não seguia aquela técnica, chorando sempre à vista de todos e me
expondo sempre ao ridículo. Não conseguia fazer de outra forma. Meus avós
conseguiram estabelecer diretrizes poucas para ler os sentimentos e saber
quando era hora de colher. Alguém que eu não conseguira identificar adicionara,
em caligrafia difícil de ler, a dica de puxar o tronco para que o corpo saísse
mais depressa. Todas aquelas pessoas trabalharam duro e comprimiram os resultados
de seus esforços numa página daquele livro que me foi passado e que, mesmo sendo
produto de tanto suor, fora-me de utilidade pequena para a tarefa de me plantar
e me colher quando tal necessidade apareceu.
Mesmo
assim, eu consegui. Contrariando todos os agouros, todos eles maus, triunfei. Deixei
a vida me enterrar e então me pus para fora da terra, um novo corpo melhorado
para encarar aquilo que antes eu não estava pronto para ter diante de mim. Aquele
sim era um momento para que eu sentisse orgulho de mim mesmo. E eu senti.
Senti
orgulho e deixei – dessa vez sem culpa ou ódio – que aquele sentimento me
guiasse para dentro do corpo que eu tinha cultivado com tanto esforço, na
esperança de dias melhores ou pelo menos reações melhores a dias tão ruins
quanto os anteriores.
Aquele
novo corpo falharia, é claro, em algum momento. Mas então a necessidade bateria
de novo à minha porta e eu já saberia o que fazer, tendo por guias meu coração
e minha própria experiência, além do conhecimento deixado para mim por todos
aqueles que tentaram antes cultivar um corpo à altura de seu espírito.
domingo, 17 de setembro de 2017
3. Justifique sua resposta.
Eu acho que eu recorro à escrita quando estou triste
Quando estou pesado
E que por isso escrevo sempre sobre as mesmas coisas
Sempre o mesmo texto com palavras diferentes.
Isso faz de mim a porra de alguém muito egoísta.
Eu devia deixar a alegria entrar nessas palavras
Um dia desses.
Tentarei fazê-lo quando estiver forte o suficiente.
Quando estou pesado
E que por isso escrevo sempre sobre as mesmas coisas
Sempre o mesmo texto com palavras diferentes.
Isso faz de mim a porra de alguém muito egoísta.
Eu devia deixar a alegria entrar nessas palavras
Um dia desses.
Tentarei fazê-lo quando estiver forte o suficiente.
2. Conte o que aconteceu nas suas férias
Tínhamos um cachorro
Que ouviu seu nome sendo chamado do fundo de um penhasco ao lado da nossa casa
E pulou.
O cachorro tinha meu nome
E a voz era da vida.
Eu adoro fazer
Metáforas que são mais do mesmo
Para mostrar como nada mudou.
Que ouviu seu nome sendo chamado do fundo de um penhasco ao lado da nossa casa
E pulou.
O cachorro tinha meu nome
E a voz era da vida.
Eu adoro fazer
Metáforas que são mais do mesmo
Para mostrar como nada mudou.
1. Pinte um autorretrato
Eu me desfiz em lágrimas novamente hoje e depois me refiz nelas.
Eu me isolei dentro de mim mesmo novamente, curvei os meus cantos até que eles se encontrassem, eu me fechasse e me blindasse na minha própria carne.
Fiz do meu corpo terra de ninguém, criei-o a partir dos materiais os mais heterogêneos - lágrimas, carne, tempo, angústia.
Ó mar salgado
Eu não tenho por ti paixão nacionalista
Nem por mim.
Meus músculos foram tecidos com fios de culpa e autopiedade.
Quando um novelo acabava, procurava o outro
Num movimento sádico
De procurar os piores sentimentos
Pois sabia que sempre os encontraria ali para
Tecer a mim mesmo
Pra lá e pra cá
O preto da culpa e
O cinza da autopiedade
Tornando-se cada vez mais indistinguíveis.
Meus ossos são gravetos que encontrei pelo caminho.
Gravetos que me atiraram
Ou que eu pensei que tinham me atirado
Mas que simplesmente sempre estiveram ali.
De repente parecia lógico que eles estivessem
Dentro de mim.
Meus olhos são lanternas carregadas com a esperança que ainda resta
Forçados a vasculhar o mundo
Procurando por uma resposta para uma pergunta que eu não sei fazer.
Meu cérebro é lixo
Egoísmo
Razão podre iluminista
São coisas que preciso desaprender todos os dias
Para que ele se pareça mais com algo que eu não sei o que é.
Minha alma é o resto
É um vazio cheio de coisas
As coisas das quais eu me permito gostar
E as quais eu não consigo não amar.
Pena que elas não se sentem do mesmo jeito em relação a mim.
Elas se balançam
Violentamente
Todos os dias
Tentando se libertar do meu amor
Tentando não ser parte de mim.
Dói.
Mas eu ainda não aprendi a deixá-las irem
E nem sei se posso
Afinal, onde já se ouviu falar
De um corpo sem alma?
Vejo meu corpo
Fechado em si
Em mim mesmo
E me pergunto como farei para
Deixar de vê-lo como o resto do mundo o vê.
Para encontrar outro par de olhos e encará-lo de uma forma diferente,
Tirar outras conclusões acerca dele.
Eu não sei a resposta.
Continuo, porém,
Me refazendo em lágrimas
Todas as vezes em que estou desfeito
E talvez isso já signifique alguma coisa.
Instruções
Siga-as e talvez algo dê certo
Ou ao menos fique mais claro.
Talvez não.
Se quiser, queime depois de ler.
Ou ao menos fique mais claro.
Talvez não.
Se quiser, queime depois de ler.
quarta-feira, 19 de julho de 2017
Uma pílula de autopiedade três vezes ao dia
Onde seus pés buscam abrigo quando nenhum chão parece sólido o bastante?
Quando todo o apoio não parece o bastante
Já que você mesmo não se oferece nenhum suporte
Para onde você corre quando você não sabe se salvar de si mesmo?
Dos pensamentos que fazem você se odiar?
O que você faz quando a vida perfeita te parece estranha?
Já que você é um estranho para você mesmo
Pés são bússolas
E os meus estão perdidos
Dentro de mim mesmo
Mundo, obrigado por tudo
E desculpe por todo o amor
Que eu nunca soube reconhecer e retribuir
Mas acho que eu nunca
Nunca
Vou saber reconhecer que a trilha em que estou é a trilha certa pra mim.
domingo, 18 de junho de 2017
Frases rudes injustas
- Me conte uma história.
- Uma história?
- Sim. Todo mundo só sabe falar das tristezas da vida, reclamar do dia a dia. As pessoas esqueceram-se do bem que pode fazer fugir vez ou outra para a ficção. Então me conte uma história, Cíntia.
Ela parou e o olhou como se de repente ele fosse um prédio que a estivesse impedindo de ver o sol por estar parado na frente dela.
- Se você acha que a ficção é fuga, você não passa de um merda. A ficção não afugenta os problemas, ela os abraça. Uma história fala da vida, reclama do cotidiano, mas de uma forma que não provoque dor ou tédio insuportáveis e sim empatia, repulsa ou tudo o que estiver no meio disso. A experiência de uma história não é uma visita a um mundo desconectado do nosso, mas sim a oportunidade de acompanhar um acontecimento no decorrer do qual realidade e imaginação se misturam até se tornarem indistinguíveis uma da outra. Você pode até pensar nela como fuga, mas é um abrigo bem no meio do caos,
- Ei, espera aí, de onde veio toda essa grosseria? Só estava tentando ter uma conversa agradável. Acho que cada um tem sua forma de enxergar as coisas. Pra mim pode ser fuga e pra você não, mas não precisa me chamar de merda.
- Impressionante. De repente, as pessoas têm sentimentos.
Ele nada disse. Encarou-a sem entender.
- Eu vou te contar a história que você pediu, Guilherme. Não sei se é ficcional ou não, mas é a narrativa de muitos e já quase virou patrimônio da humanidade. Existem pessoas que não importam. Pessoas com quem se pode falar qualquer coisa, até a mais extrema grosseria, e esperar que não se machuquem. Pessoas que podem ser acessadas em hora de necessidade e depois nunca mais. Essas pessoas não conhecem vínculos de mutualidade, mas apenas relações unilaterais, parasitárias, que exigem somente doação e em troca não dão nada. E a pior parte é que elas não têm o direito de reclamar. Qualquer protesto é um exagero, afinal, quando se é uma dessas pessoas não se tem direito nem a uma personalidade completa e autônoma, que dirá direito de estar puto. Não, qualquer sinal de insatisfação é drama, é manipulação ou desequilíbrio emocional. E sabe qual a história dessas pessoas, Guilherme? Você sabe?
Guilherme não conseguia nem se achar mais, quanto menos falar, então em silêncio permaneceu.
Cíntia resolveu que já era tempo demais deixando a tensão no ar e continuou.
- A história delas - ela disse - é que toda essa merda que elas escutam e não podem externalizar vai se acumular e crescer dentro delas, até chegar um dia em que elas vão explodir na sua cara e você vai ter que limpar os pedaços delas que grudaram em você. Dependendo de quem você for, conseguirá limpá-los com mais ou menos facilidade, mas o fato é que, cedo ou tarde, você vai conseguir e então simplesmente vai procurar outra pessoa que não te faça sentir mal por tratá-la mal e que, por isso, vai te levar a acreditar que você pode enchê-la de grosseria.
- Eu... O que está havendo com você hoje, Cíntia? Por que tanto rancor? Tem alguma coisa acontecendo? Alguém tem te tratado mal, te machucado?
- Não. Eu sou louca e espero além do que é plausível que se espere - espero consideração. Agora, Guilherme, se não se importa, preciso ir embora, então serei breve. O fato é que vai chegar um dia, muito tempo depois de hoje, em que você vai perceber que tudo que em tudo que eu já te disse havia duas linhas de significado, mas que você, sempre tão egoisticamente distraído, só captava uma delas. Então você vai repassar mentalmente todas as conversas que já tivemos, vai descobrir o outro sentido que dou a tudo e, finalmente, vai me conhecer de fato.
Cíntia virou-se e foi embora.
Com aquela partida, disse mais que com todas as palavras que havia dito antes somadas.
sábado, 29 de abril de 2017
Vislumbre
Eu vejo através do vidro o rosto do passado
Ele bate calmamente na minha janela dos fundos
Querendo
Aguardando
Você não vai se repetir
Digo a ele
Que sorri maliciosamente
Enquanto balança a outra mão para que eu veja que com ela segura uma tocha.
Ele está pronto para voltar
E me destruir
A qualquer momento.
Ele bate calmamente na minha janela dos fundos
Querendo
Aguardando
Você não vai se repetir
Digo a ele
Que sorri maliciosamente
Enquanto balança a outra mão para que eu veja que com ela segura uma tocha.
Ele está pronto para voltar
E me destruir
A qualquer momento.
quinta-feira, 13 de abril de 2017
sábado, 25 de março de 2017
As vezes em que eu percebo que é tudo mais difícil do que eu imaginava
Mas há ainda vida que valha a pena ser vivida? Existe ainda solo dentro e fora de mim que não tenha sido tocado pela dor, pela insegurança, por quanto eu detesto a mim mesmo?
O ato de desaparecer é tentador mais e mais vezes a cada semana, mais vezes do que eu gostaria que fosse. Estar ali e então não estar. Este movimento para o nada me chama como se fosse a única solução para a situação emocional desprezível em que me encontro. Infelizmente é um movimento que também promete muita dor, uma dor que eu não acredito ser capaz de suportar e que ainda não é maior do que a que está aqui dentro - eu acho. Além disso, há a perspectiva de decepcionar a todos mais uma vez, uma grande e última decepção depois de incontáveis tantas.
Então eu sigo. Olho para os cantos e me agarro a memórias e momentos presentes que me proporcionem alegria, mas de uma forma ou de outra a dor os encontra e os contamina. O mal que eu faço a mim mesmo e que espirra em todos ao meu redor, a forma como eu consumo todas as minhas energias tentando encontrar algo que não doa, essas coisas fazem tudo ficar cada vez mais cinza.
E cada vez mais triste. É triste que eu não consiga aproveitar mais as coisas do mesmo jeito, que eu não consiga mais fazer felizes as tantas pessoas especiais que por algum infortúnio caíram em minha vida. Os que eu não quero desapontar. Talvez eles possam cuidar uns dos outros quando tudo tiver se tornado cinza.
O impulso de seguir ainda existe. O sorriso de um amor, o abraço firme e protetor de uma mãe, o carinho de uma irmã. O conselho brutal, mas necessário, de uma amiga. O dia, no entanto, dá lugar à noite, enquanto eu me dou conta de que não fiz nada além de revirar dentro de mim mesmo, tentando encontrar algo que valha a pena, alguma partícula que eu ainda não odeie.
Me pergunto se sou forte o bastante para aguentar a noite.
Respondo a mim mesmo que não sei, mas que, se quiser ser, eu e mim mesmo precisamos de um momento de trégua.
Deixo-me, então, abraçar por mim mesmo e choro as mágoas de dentro para fora, esperando não absorvê-las de novo, mesmo com a ciência de que inevitavelmente o farei.
Encontro um fragmento meu ainda intocado e me agarro a ele para ficar de pé, enquanto ele perde a cor e se torna cinza.
sábado, 18 de fevereiro de 2017
Do que rouba minha paz
A agonia de reviver
Vez após outra
O mesmo momento
Passado.
A tristeza de não poder mudar
As palavras ditas
As ações realizadas.
A fraqueza traduzida na incapacidade de seguir em frente
E ficar satisfeito com dizer e fazer diferente no futuro.
Me perco nisso que tira minha mente do meu controle, desregula minha respiração e mói minha esperança.
Minha paz foi roubada e estou paralisado porque não sei como tomá-la de volta.
Vivo congelado enquanto o relógio marca os momentos surrupiados que nunca recuperarei.
Vez após outra
O mesmo momento
Passado.
A tristeza de não poder mudar
As palavras ditas
As ações realizadas.
A fraqueza traduzida na incapacidade de seguir em frente
E ficar satisfeito com dizer e fazer diferente no futuro.
Me perco nisso que tira minha mente do meu controle, desregula minha respiração e mói minha esperança.
Minha paz foi roubada e estou paralisado porque não sei como tomá-la de volta.
Vivo congelado enquanto o relógio marca os momentos surrupiados que nunca recuperarei.
domingo, 12 de fevereiro de 2017
Three words
Every time I say them now
I wonder
If you're gonna take them in
Or crush them with your skepticism
sábado, 11 de fevereiro de 2017
Destruindo e criando (simultaneamente)

Um sorriso.
Um olhar profundo em meio ao caos. O mundo se dissipa enquanto eu assisto.
Sinto a alma escapar-me. Existe mesmo algo como uma alma?
Eu seguro o tempo nas mãos e imploro para que ele pare de me machucar. O tempo responde
Eu não sei fazer de outro jeito.
Eu assinto e deixo que ele vá.
Horas e horas perdidas encarando o teto do meu quarto. Cada centímetro memorizado e então esquecido, pois são todos iguais e se misturam.
Dor.
Não deveria ter escrito essa palavra.
Um pássaro ajusta suas asas durante o voo.
O sol se põe.
Eu continuo aqui.
Parado olhando para o nada. O que olho efetivamente? O que é o nada? O nada é uma construção social? A sociedade deveria gastar menos tempo construindo o nada e mais explicando o que é o nada que construiu.
Uma identidade que se formou um dia e que eu luto para não perder.
Por quê?
Eu choro, mas sei que choro por mim mesmo.
Toco apenas a superfície da água com a mesma cautela que uso para lidar com meus sentimentos.
Passo a borracha no sorriso, mas ele volta.
Jogo a borracha fora.
Mas o sorriso não tenho coragem de jogar.
Ainda.
Choro, e é libertador.
Vejo a mim mesmo no copo daquilo que bebo.
Bebo a mim mesmo para entender por que preciso defender minha existência.
Evito a música triste, mas acabo me afundando nela eventualmente.
Minhas mãos, milagrosamente ainda inteiras, resgatam os pedaços de mim mesmo que o tempo tratou de dispersar, após me partir.
Não, não o tempo.
Culpamos o tempo pelo uso que as pessoas fazem dele. Mas ele é simplesmente alguém envolvido demais para questionar.
A rebeldia do tempo seria a derrocada dos homens, e juro que eu riria.
Calendários perdendo o sentido.
Eu tiro tempo para mim mesmo.
Um sorriso... Sorriso?
Que sorriso?
Sorrio para dar sentido ao pensamento.
E sigo defendendo minha injustificável existência.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017
Instante
Acho que é isso
Essa é a hora em que precisamos admitir
Que nosso lugar não é aqui
Que não temos lugar
Que não pertencemos
Que a partida não é mais que uma libertação
E que o adeus é apenas um rompante de amor-próprio
Essa é a hora em que precisamos admitir
Que nosso lugar não é aqui
Que não temos lugar
Que não pertencemos
Que a partida não é mais que uma libertação
E que o adeus é apenas um rompante de amor-próprio
sábado, 7 de janeiro de 2017
Breves apontamentos sobre O Bolo
Ele está logo ali, em cima da mesa. O objeto mais cobiçado por absolutamente todas as pessoas do planeta - ou assim dizem. Nós crescemos ouvindo histórias sobre ele, sobre como possuir um pedaço dele pode ser a salvação de toda uma linhagem. O Bolo está logo ali, em toda sua glória confeitada. Precisamos decidir como iremos dividi-lo.
Mais do que simplesmente pegar a faca e partir O Bolo, precisamos saber como fica a medida de cada fatia e quem terá direito a um pedaço de tão maravilhosa iguaria. Claro, como somos todos humanos, iguais em nossa dignidade intrínseca, devemos dividi-lo em quantos pedaços forem necessários para que cada pessoa tenha direito a um. Justo e simples.
Mas como assim, dirão alguns, entregar a maior riqueza que temos para todas as pessoas por igual? Quem trabalhou para dar a esse Bolo a forma que ele tem? Quem contribui para que ele cresça? Só deve ter um pedaço quem for merecedor de um. De que justiça, porém, seria isso, rebateriam outros, se uns já nasceram nos lugares onde o bolo estava sendo preparado e foram desde sempre incentivados a participar da feitura dele, enquanto outros não sabiam nem quais eram seus ingredientes, e dele nunca viram mais do que migalhas, quando muito?
Mas, ora, essa é a lei da natureza.
E quem leu na natureza essas leis senão os próprios homens? De quem é de fato a autoria dessa lei?
Questionamentos tolos que não nos levarão a lugar algum! Já que querem dar Bolo a todos, pelo menos façamos primeiro com que ele cresça, para que todos possam ter muito, talvez dando a cada um a parte que lhe cabe segundo seu mérito.
Isso é o maior absurdo que já vi ser dito!
Parem, parem, não podemos decidir assim, numa conversa meia boca de homens quaisquer! Quem deve cuidar da distribuição do Bolo é a grande Mão Invisível, a única medida justa que há nessa Terra. A presença dela é inerente à nossa condição de seres humanos, não podemos nos organizar sem ela nem tentar submetê-la a nossos desígnios. Isso, sim, seria uma injustiça. Devemos seguir o que deseja a Mão, que tudo controla e tudo nos fornece conforme nos cabe.
Agora, isso sim é um disparate! Que Mão é essa que divide nossa maior benesse sem que ao menos possamos vê-la? E de novo essa história de inerente! Nós precisamos é de uma grande instituição que distribua as fatias do Bolo. Ela se chamará Estado e terá as ferramentas necessárias para fazer justiça com nossas riquezas.
E quanto ao que a Mão deseja? Esse tal Estado vai acabar com todos nós!
Podemos colocá-lo para atuar onde a Mão falhar. Afinal, isso deve acontecer alguma hora, tenho certeza de que já ouvi falar de algo assim acontecendo.
Canalhas! Querem sim é extorquir aqueles que trabalharam para a existência desse Bolo sem ao menos estarem cientes de que era sua força que o estava a fazer! Sei muito bem de quem é essa Mão Invisível! Sei muito bem a quem serve esse tal Estado! Precisamos é de um outro tipo de Estado, que vai tirar das mãos desses ladrões a capacidade de repartir nosso Bolo, que vai permitir que os homens gradualmente possam cuidar do bolo por si mesmos, sem precisar que nada Maior o distribua.
E como exatamente isso será feito? O poder que acabará com o próprio poder? A hierarquia desierarquizadora? Bobagem! E, além disso, assim voltaremos àquelas discussões entre homens banais às quais nos prendíamos no início de tudo, antes de termos nos tornado civilizados.
O debate poderá seguir por tempo infinto. A cada momento eclodirá mais uma ideia inédita e perfeita sobre como repartir as fatias do Bolo e quantas elas serão, só para ser derrubada no momento seguinte por uma ideia, agora sim, realmente perfeita. Isso sucederá eternamente, pois estamos todos presos à ideia de um bolo fatiado. Quem determinou que se usasse uma faca para fatiá-lo? Quem disse que a única maneira de distribui-lo é em fatias? Quem foi que criou a ideia de "distribuição" a partir de um ponto específico como a única maneira de lidar com o conteúdo do Bolo? Aliás, antes de tudo, quem deu ao Bolo o formato que tem, quem o colocou nessa fôrma e não permitiu que fossem testados outros moldes, ou molde nenhum, para o maior tesouro da humanidade?
Por que não explodimos o bolo para que suas partículas se espalhem no ar? Para que o antigo Bolo, agora pulverizado, alcance toda pessoa e todo lugar, para que todos, sim, efetivamente todos, possam pegar para si partículas dele, respirá-las, senti-las? Para que a benesse seja tudo e esteja em tudo, para que possamos usufruir dela ao lidarmos com nós mesmos e uns com os outros?
A resposta é óbvia. Não fazemos isso por termos medo. E se der tudo errado? E se entrarmos em uma sequência irreversível de catástrofes? E se descobrirmos que fizemos a maior loucura de nossas vidas e que nunca mais teremos esperança de felicidade?
Esse medo, conterrâneos, é nada mais que o triste reflexo de uma Humanidade que tem fé cega no controle e nenhuma fé na liberdade.
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