
Um sorriso.
Um olhar profundo em meio ao caos. O mundo se dissipa enquanto eu assisto.
Sinto a alma escapar-me. Existe mesmo algo como uma alma?
Eu seguro o tempo nas mãos e imploro para que ele pare de me machucar. O tempo responde
Eu não sei fazer de outro jeito.
Eu assinto e deixo que ele vá.
Horas e horas perdidas encarando o teto do meu quarto. Cada centímetro memorizado e então esquecido, pois são todos iguais e se misturam.
Dor.
Não deveria ter escrito essa palavra.
Um pássaro ajusta suas asas durante o voo.
O sol se põe.
Eu continuo aqui.
Parado olhando para o nada. O que olho efetivamente? O que é o nada? O nada é uma construção social? A sociedade deveria gastar menos tempo construindo o nada e mais explicando o que é o nada que construiu.
Uma identidade que se formou um dia e que eu luto para não perder.
Por quê?
Eu choro, mas sei que choro por mim mesmo.
Toco apenas a superfície da água com a mesma cautela que uso para lidar com meus sentimentos.
Passo a borracha no sorriso, mas ele volta.
Jogo a borracha fora.
Mas o sorriso não tenho coragem de jogar.
Ainda.
Choro, e é libertador.
Vejo a mim mesmo no copo daquilo que bebo.
Bebo a mim mesmo para entender por que preciso defender minha existência.
Evito a música triste, mas acabo me afundando nela eventualmente.
Minhas mãos, milagrosamente ainda inteiras, resgatam os pedaços de mim mesmo que o tempo tratou de dispersar, após me partir.
Não, não o tempo.
Culpamos o tempo pelo uso que as pessoas fazem dele. Mas ele é simplesmente alguém envolvido demais para questionar.
A rebeldia do tempo seria a derrocada dos homens, e juro que eu riria.
Calendários perdendo o sentido.
Eu tiro tempo para mim mesmo.
Um sorriso... Sorriso?
Que sorriso?
Sorrio para dar sentido ao pensamento.
E sigo defendendo minha injustificável existência.
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