entre todas as pessoas do
mundo, ele encontrou a si mesmo. não sabia o que fazer com aquela outra
carcaça.
olhava pra fora e pra
dentro ao mesmo tempo e tinha medo. sabia os quês e estava descobrindo os
comos, mas seu medo era que os comos viessem a destruí-lo.
a força que exigia pôr em
prática um estilo de vida ele achava que vinha de outro lugar, porque não podia
exisitir neste universo.
andou e olhou, pra fora e
pra dentro, seguiu as trilhas de sangue da alma – nunca antes tinha visto
sangue de cor nenhuma – e agora enxergava tudo. todas as noites, lia para si em
voz alta as mesmas constatações, mas elas pareciam pertencer tanto ao papel, aos
lábios, ao som da voz. a vida nunca as tinha reclamado pra si. achava que o
que devia ser feito era uma conquista da vida pelas palavras. não que fosse
possível, mas o que
mas o possível é sem
graça e o impossível tem uma graça triste.
um humor ácido. que
corrói e transforma.
ele quebrou o próprio
corpo e não sabia o que fazer com aquela outra carcaça quebrada.
ele se corroeu
ele aguardava
impacientemente
forças de outros universos
que talvez demandassem
paciência.
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