Eu me despi de mim mesmo e me despi de todo o resto em minha busca pela felicidade.
Eu deixei para trás meus sonhos e já também tentei segui-los. Eu tentei me descobrir e tentei descobrir o mundo. Tentei as fórmulas prontas e a ação intuitiva.
Eu entreguei meu coração, exposto e rasgado em praça pública, à mais real das criaturas. Eu mantive meu coração trancafiado, monopólio de mim mesmo. Mostrei sentimento e mostrei indiferença.
Fui culto, fui pop, fui trash, fui a escória do mundo e o orgulho dos poderosos. Fingi entender a arte e depois chafurdei em melodias vazias.
Já tentei agradar e também já taquei o foda-se. Misturei-me a todos os outros e depois tentei me individualizar.
Reclamei de tudo e tentei ser otimista.
Atirei-me nos impulsos e depois me dediquei à complexa arte de calcular ações.
Tentei tentei e não consegui pisar em nada mais firme que em mim mesmo.
Depois que o mundo inteiro já tinha entrado em mim e saído sem criar raiz, só sobrou o silêncio.
O baque mudo de quando não há mais coisa que produza som.
Nunca experimentara sensação mais aterrorizante.
Tentei gritar, mas minha voz materializava-se na falta de som. O ar em meus pulmões parecia feito de nada.
Agonizei.
Até hoje não sei o que vem depois do instante eterno em que o mundo se cala e você continua lá.

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