No fim das contas, sou eu sozinho.
Eu, deitado na minha cama, sem forças para fazer qualquer outra coisa que não lamentar as dificuldades que criei para mim mesmo.
Eu, as garrafas viradas de sonhos derramados e as montanhas de pensamentos perigosos que povoam meu quarto.
Eu e os espectros das pessoas que permeiam minha vida. As pessoas que me amavam até me descobrirem alguém ridiculamente estilhaçado; as pessoas que nunca me amarão e nunca me descobrirão; e as pessoas que me amam e fingem não saber de nada.
Me amam por pena. Me amam por não terem escolha, por estarem no meu beco sem saída, soterradas pela minha autopiedade. Me amam por medo de que eu termine de quebrar e não tenha mais conserto. Me amam por todos os motivos pelos quais alguém deveria deixar de amar uma pessoa.
Mas, no fim das contas, sou só eu. E os sonhos. E os pensamentos. E os espectros. E a realidade vista de longe pelo caleidoscópio do meu eu imóvel.
Acredito que não estou sozinho, então. Tenho bastante companhia.
Deixe que me envolvam, que me fechem num casulo, que me mergulhem em todas as minhas dúvidas.
Vai passar.
Uma hora ou outra, conseguirei novamente acreditar nas mentiras que me contam para que a realidade faça sentido.
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