sábado, 10 de dezembro de 2016

Começo


Seja gentil com os que passam como passa o vento. Machuque os que sempre ficarão.
Disse o mestre ao aluno.
O mestre da arte de não se importar.
Do não querer saber.
Do fingir não estar.
Deixe que venham, que implorem, que rastejem. Deixe que conheçam apenas uma parte de você e, quando menos esperarem, esfregue na cara deles que existem muitas outras que eles nunca vão conhecer, mas que você está feliz em distribuir para o resto do mundo.
Mostre a eles que há um afeto dentro de você que nunca receberão, não importam o que façam, mesmo que rachem os fundamentos do Universo.
Seja seu próprio salvador e a desgraça da humanidade.
Banhe-se das lágrimas daqueles que, segundo as leis do bom senso, mereceriam sua consideração. O sentimento contido nessas lágrimas te dotará de uma força vil que o tornará capaz de esmagar o mundo sob seus próprios punhos, de escravizar o planeta à justificativa de sua própria imagem.
Depois que tiver feito tudo isso, nada mais restará a não ser você mesmo num mundo tomado pelo caos. Mas isso não é ruim. Pois só o caos importa.
Não o caos que cria, mas sim o caos que destrói. O caos que será a ruína de seus semelhantes e te tornará conquistador de mundos. Seu trabalho é liberar toda a podridão desse caos, e disso você obterá seu sucesso e sua força.
Com essas palavras o mestre terminou sua lição e soltou o aluno no mundo.
O aluno conheceu uma pessoa e a tomou para si com um beijo.
E assim teve início o que, hoje, após um período de tempo longo demais para ser medido, chamamos Humanidade.

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