Eu não quero fama, muito menos prestígio. Eu desprezo o barulho das multidões.
Eu quero que me amem pelo meu cérebro, pela minha alma, por quem eu sou. Eu quero sentimento, porque reconhecimento têm aqueles que patinam sobre gelo fino.
Eu quero furar todos os egos que vocês insistem em afagar, quero destruir, um a um, os pedestais em cima dos quais vocês se colocam, quero que queimem todos os holofotes cuja luz vocês fazem baixar sobre si mesmos.
Então você pode ter seu prestígio, eu não me importo. Pode ficar com ele. Eu não vou somar minha voz desnecessária a outras mil que dizem as mesmas coisas procurando arrancar dos outros um suspiro de inveja acadêmica.
Fique com o prestígio e eu me manterei no sentimento. Eu aprenderei com os acadêmicos e sentirei o "conhecimento" por eles legitimado na minha alma. Eu vou viver a dor do saber e o amor do compartilhar aquilo que sei que é meu dever emocional dizer. Enquanto você cresce recebendo aplausos, eu vou crescer dentro de mim e minhas folhas cairão pelo mundo em cada ato meu. Eu crescerei no que me cabe, no que me importa. Com o tempo talvez eu até aprenda a falar de mim sem precisar escrever textos que se prendem exaustivamente e egoisticamente à primeira pessoa. Quem sabe o que poderei me tornar quando tiver preenchido meu espaço por completo e transbordado o que sou para fora, não em atos ensaiados e que visam a arrancar suspiros, mas em atos em que fale meu próprio espírito?
Mas tome cuidado, porque meu transbordar não será um ato pacífico. Não virei para trazer a paz intimidadora pela qual você preza, mas para destruir o prestígio que você tanto ama. Para arrasar você e vocês, seus círculos de massagem recíproca de egos e polimento de pedestais. Para rasgar todos os padrões altíssimos e inatingíveis que vocês construíram.
E então vai haver só sentimento.
Você, nas profundezas de si mesmo, se encolhe diante desse pensamento, eu sei. Mas é esse meu objetivo e, para mim, não há possível cenário mais lindo.
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