quarta-feira, 7 de maio de 2014

Ao bando



Estou rodeado por corvos.

Venho notando isso ultimamente. No princípio achei que estivesse alucinando. "Talvez eu esteja dormindo pouco", pensei. Mas agora eu tenho certeza. Eles estão em todos os lugares, me perseguem o dia inteiro. E agora não consigo mais deixar de enxergá-los.

Onde antes eu via amigos, parentes e pedestres, hoje vejo corvos. Vejo aves de pele negra, com seus bicos pontiagudos e olhos cheios de malícia, ansiando por me atacar ao primeiro sinal da minha desgraça. Eles querem apontar e rir, eu sei que querem. Mal podem esperar para me ridicularizar, me apontar os erros, criticar meu primeiro desvio.

Criticam como eu falo, o que eu ouço, o que assisto, com quem converso, como me visto, o que decido, o que deixo de decidir. Eles analisam quem eu sou e me dizem, com o peito estufado, que eu sou de maneira errada. Querem me culpar pelos meus erros e acertos, e por seus próprios também.

Aos corvos que me perseguem, um recado: quem se alimenta da podridão acaba apodrecendo.

E aliás, onde está escrito que eu tenho que ser perfeito?

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