
Você é parte essencial da minha vida. Isso é uma parcela muito grande, sabia? Você permeia meu eu consciente, e também meus sonhos. Você passeia por meus bronquíolos junto com o ar que eu respiro. Parece doentio, eu sei, mas é a verdade. Não há motivo para tanto, também sei disso, mas certas coisas realmente acontecem sem razão, sem pretexto.
Sim, eu te observo quando você não está olhando. Observo cada aspecto da sua vida que se faz passível de observação, na ânsia por saber mais e mais sobre você. Apesar disso, só consigo enxergar as qualidades. Os defeitos estão lá, obviamente, estampados no seu rosto, nas suas atitudes, mas quem seria louco de pôr os pés no chão quando se pode passear pelas nuvens?
Como tolo que sou, obviamente alimento a esperança de que você um dia venha a me notar, venha a me ver como mais que um mísero figurante na sua vida de musa idealizada. Mas isso não aconteceria nem que o mar por um instante passasse a ser feito de água achocolatada. Mesmo se Deus, Alá, Buda, Poseidon e Túpac Amaru descerem de seus leitos divinos todos juntos e lhe fizerem a grande revelação de que eu existo, nem assim você perceberia.
E assim eu sigo a vida, iludindo-me, porque é mais fácil que encarar a verdade. Sigo assim, pois é mais simples que revelar-lhe minha presença e meus singelos sentimentos. Até porque, já repassei a cena na minha cabeça incontáveis vezes, e por isso sei muito bem que, após ouvir o quanto eu te amo, você olhará bem em meus olhos cheios de paixão, abrirá seus lábios angelicais com delicadeza ímpar, e responderá:
“Foda-se.”
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